Rua Caio Mario

2.11.09

1. aprender a gostar muito

querer tudo é não querer
nada é perceber que nada
é pior que tudo e qualquer
coisa é melhor do que nada
é melhor do que não querer
tudo é querer uma coisa só
pois para ser feliz é preciso
querer uma coisa só e saber
deitar ao lado dela - quieto.

video

21.9.09

Os Invasores

durante o mês de outubro sobre
tudo nos bairros sem praia é preciso
que às seis da tarde precisamente
tranquem-se as portas fechem-se
as janelas apaguem-se as luzes
durante quinze minutos de silêncio
e escuridão como se nenhuma luz
morasse aqui pois se houver alguma
luz esquecida em algum canto qual
quer meus amigos é bom saber pre
parem-se pois eles vão achá-la e a
través de alguma brecha eles hão
de se esgueirar em bando à procura
de alguma lâmpada incandescente
que lhes sirva de deus sob o qual
voarão devotos e apaixonados em
espiral ascendente para celebrar
a luz até pousarem-se sobre o sim
teco e esbaldarem-se exaustos
numa orgia de madeira compensada.

9.9.09

gênese II

No princípio era o verbo
uma vaga voz sem dono
vagando pela via láctea

Depois veio o sujeito
e junto com ele todos
os erros de concordância.

27.8.09

baía de guanabara

a baía de guanabara é uma sopa de óleo
diesel detritos ferramentas sal de lágrimas
e a saudade dos que já partiram – quando
atingimos seu vórtice devemos jogar anéis
cinzas e outros restos mortais de uma pessoa
a ser engolida pelos deuses subaquáticos
pois para isso cariocas fomos feitos – para
salgar esse imenso caldo que nos banha.

19.6.09

posto nove e meio

açaí açaí – você conhece o waldo – olha
o mate – waldo que waldo – é o melhor
mousse do rio de janeiro – agora joga
um spray nas minhas costas – conheço
um waldo que morreu – meu mousse
é o melhor – o waldo não morreu quem
morreu foi o walter foi o waldo – empada
praiana foi o walter – sabe que – açaí – no
fundo – açaí – eu acho que o nome dele
era – olha – waldo mesmo – o mate – porra
tu – guara plus – tacou spray – guara plus –
no meu olho – o waldo – mate – ele mesmo
então morreu – olha o mate – para morrer
meu amigo – mate – basta estar vivo.