Rua Caio Mario

8.6.08

expressos

a grade e os degraus de cada rua
sem suas costas ao redor
das quais eu passaria o braço
caso você
não estivesse num bairro qualquer de São Paulo
tomando um chope e falando sobre
lei rouanet buenos aires deleuze dois mil e quarenta e seis
paulistas e pastéis de porre
japonesas e dreadlocks e cartunistas quem sabe o Angeli
deitado sobre os próprios braços numa mesa ao fundo

e um senhor de terno
que vem aqui toda noite
sempre na mesma mesa
às quatro e meia da manhã

e quilômetros e quilômetros
de distância
sou só mais um entre
os seis milhões de gatos pingados
desta cidade em que já não tem a menor graça
assistir ao novo filme do wong kar wai

7 comentários:

Isabel disse...

olha que esse expresso deu onda, postei lá na janela depois de passar por aqui, olha lá depois!
bjo

senhorita feliciana disse...

amores não expressos
são paulo sempre expressa
o filme do wong kar way interrompido
por um chopp pra esquecer a falta
do ombro pra passar o braço em volta
lindo, greg, queria saber escrever poemas...
...

Isabel disse...

tb achei bem chato o filme, zé carvalho adorou, ha... e nem foi coincidência, escrevi depois de ler o seu mesmo.

- Marechal Carleto - disse...

És tu, filho de Odisseu, tu, o Telêmanco

Luiz Coelho disse...

Um café expresso? Não, um mancuccino.

Isabel disse...

olha aí: os três manqueteiros...

Luiz Coelho disse...

Rua Caio Manco,

passo lá no blog e lê os dois útlimos posts. vc contribuiu.